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Voluntariamente autista, sociável com trouxas, fluência em melancolicês. Não tem dom de se expressar pela fonética, mas ama a escrita mesmo sem saber juntar a multidão de letras que seguem suas células. Apenas uma alma muda na imensidão de vozes.

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017




Seja onde estiver, 
ouve essas músicas que te envio. 
Acho tão bonito que o homem em sua miudeza pôs entre as estrelas um toque do seu próprio brilho e não foi apenas as mais desenvolvidas tecnologias, mas um disco orbitando o universo e carregando a história da música, os sons que nos compõe em sua viagem. 
É tão formidável, você não acha? 
O quanto de som habita os lugares aparentemente inabitáveis e silenciosos, como um amor nunca revelado que transborda olhos e poros, é tanto pulsar. Aqueles lábios trêmulos que guardam uma angustiada palavra, que fala tanto que mal consegue dizer, mas há tanta expressão. E lá no intenso silêncio luminoso dos astros um disco viaja tão cheio de harmonia guardada. 
Escute-me, eu só sei piscar uma luz fraca, um sinal distante. 
Eu, viajante de minha própria pele, tentando levar algum som que só eu posso ouvir. 
Você visitante que passa entre minhas entranhas tão incerto, pode ouvir?
Tantas músicas gravadas que não sei até onde irão alcançar, eu vou me calar e deixar que elas toquem o que minhas mãos já não podem mais. Eu deixo tudo falar por mim quando não consigo falar, busco palavras onde não há letras na esperança de que isso possa ser maior do que minha voz. É preciso olhar como alguém um dia olhou que o som poderia levar nossa mensagem aos confins do universo. Passo cumprimentando os seus sistemas tão longínquos. Quantas vezes me entristeci por não saber falar tão facilmente, mas há tanto canto no subsolo, até a terra que tu pisas fala em ocultamentos, sementes escondidas nos mais distantes lugares esperando um remexer de terras. Eu sou essa terra adormecida, sou cada canto do que ninguém vê cantar. Sou esse disco viajando espaços da própria pele minha e do outro. Encontrando mundos de silêncio que falam tanto quanto uma terra toda habitada.

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